Brás, João MaurÃcio / Escritor
Toda a civilização assenta numa resposta implÃcita a uma pergunta que raramente ousa formular de frente: o que é o homem e até onde pode ir sem se perder? Quando essa pergunta deixa de ser feita, não desaparece; passa a ser respondida por instâncias anónimas, pelo mercado, pela técnica, pelo poder administrativo ou pela ideologia dominante.
A grande ilusão da modernidade tardia consiste em acreditar que a liberdade humana cresce à medida que os limites desaparecem. Esta crença, apresentada como evidência moral, é na realidade a mais perigosa das abstrações. O homem não é um ser ilimitado a quem a cultura impõe constrangimentos artificiais; é um ser frágil, situado, finito, que só se torna livre dentro de formas que não escolheu, mas que o precedem e o sustentam.