Vulcão, Ana Paula / Escritor
Amor e odes
Os apontamentos poéticos da rosa-dos-ventos de Vulcão, roçados por sua hÃbrida lÃngua braso-lusitana, são expoentes de delÃcias a desapontamentos.
Em seu cinema de palavras traceja páginas e caminhos, pontilha lembranças, derrama sensações, em exercÃcios de formas — muitas vezes mÃnimas — tÃpicos de quem foi fisgada definitivamente pela poesia e por poetas. Há um fluxo de potência feminal na totalidade dos versos aqui reunidos. Ela, a autora, deixa-nos como que assistir a tudo, ora por frestas, ora nos pondo espectadores diante da tela luminosa, em projeção, posto que tudo aqui, como revela o tÃtulo do livro, é uma imagética ode de seus viveres agora impressos nas páginas que vão nos impressionando a retina, para projetar as suas memórias poéticas em nossos cinemas imaginários. E assim nos seduz, fazendo-nos achar que somos Ãntimos de seus viveres de ilhéu-cosmopolita.
Em sua segunda obra, e ouso dizer que ousar obras é um tanto se atirar em abismos, sei que a queda de Ana Vulcão é para cima, como se pesca num poema daqui deste conjunto. E ela singra — vez cosmonauta, vez argonauta — tal qual uma Afrodite Afro, na constelação de seus escritos, que vão cada vez mais firmando sua tinta autoral. Recomendo a jornada por esse deleite particular que aqui se torna publicado.