Niepce, Diana / Escritor
Na casa da janela partida, tiro a terra das meias e das botas.
Alguém entra no andar de cima.
Faço silêncio.
À mesa recordo a conversa com todos os que morreram.
Acordo.
Cambalhota, queda para trás, gancho de pés na corda. Os pés falham as cordas e as pontas dos dedos das mãos amparam a queda. A cabeça recolhe, a cervical bate no colchão, ouço o barulho de ossos a partir. O corpo desliga. O corpo levita.
As pernas flutuam, os braços mexem e eu não sinto nada.
Estou a arder. Doem-me os ombros. Sinto as clavÃculas coladas ao pescoço e as articulações em curto-circuito.
Queimam-me.